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Rio + Quanto?
Há vinte anos, o termo “economia sustentável” estava apenas nascendo e, passou a ser divulgado e utilizado, largamente durante a conferência mundial do clima que ocorreu no Rio de Janeiro em 1992, a ECO92. Atualmente, todos já sabem o que é e como deve ser feita a economia sustentável, mas, infelizmente, são poucos os que realmente a executam. Após 1992, ainda houve conferências em 2002 em Durban, 2009 em Copenhague e finalmente chegamos em 2012 com a Rio+ 20, conferência cujos fins são, não somente a renovação com o compromisso de ser sustentável mas sim de a aplicarmos no nosso modo de organizar a nossa vida e sociedade.
Deter mudanças climáticas devastadoras, erradicação da pobreza, apenas 6.8% de nosso orçamento para inovação de energias renonáveis, nanotecnologia, biotecnologia, geoengenharia, justiça ambiental, entre outros, são exemplos de termos que podem aparecer na conferência desse ano no Rio de Janeiro, termos nos quais nos amedrontram e nos dão capacidade de produzir cada vez mais. 
Há pouco menos de seis meses para a conferência, pouco matérial midiático está sendo divulgado, e devemos ficar preocupados quanto a isso. Não devemos deixar que a RIO+20 seja, assim como a ECO 92, somente uma conferência para discutirmos novas terminologias, mas sim que seja marcada por uma ação efetiva com a massiva participação da sociedade civil, chefes de Estado, conglomerados industriais, terceiro setor, entre outros atores.
Mais uma vez, todos já sabem o que deve ser feito e como deve ser feito, basta somente partir para a ação. No Plano Decenal brasileiro de Energia (PDE) há somente uma estivimativa de aumento de apenas 0.9% de energias renováveis e nossa matriz energética. Somos capazes de mais, muito mais. Eventos paralelos não devem ofuscar a grandiosidade e importância de tal evento para o mundo e para o futuro das ações “verdes” (um dos termos que devem ser implementados na Rio +20) no planeta.
Do que adianta discutirmos o futuro de nossos biomas, de nossa terra e Terra, se somos o país que investiremos bilhões em infraestrututa para as Olimpiadas de 2016 e a Copa do mundo de 2014? Do que adianta tentarmos enxergar além, se nossos horizontes estão fixos na retomada do programa nuclear, no investimento no pré-sal ou nas barragens? Como é o caso de Belomonte, sem contar na flexibilização do código florestal.
Todas as atenções estão se voltando para nós, e qual será nossa resposta? Afinal o Brasil não é e não pode mais ser somente o país do futuro. Devemos ser participativos, nos preocupar, pois só com a real atenção da sociedade civil para o evento saberemos o que realmente está ocorrendo e o que realmente poderá ocorrer.
Mais informações:
Sustentabilidade e desenvolvimento. O que esperar da RIO+20. Le Monde Diplomatique, Suplemento especial, ano 5, número 53″
